Eu entrarei no próximo vagão, com a opção própria de reverter esse meu caso de depressão. Mudarei pequenas coisas que refletiram em imensidões, serei mais simpática com a vida para que ela sorria para mim e deixarei de lado esse perfeccionismo radical que me consome a cada dia.
Eu estou pensando em me mudar, para uma casa mais clara, com uma vista bonita, para me sentir mais limpa. Esse quarto preto está me sufocando e as paredes pintadas com a cor do sangue já não tem mais sentido.
Vou ir rever minha vó que não vejo a uns anos e passar um fim de semana na casa dos meus pais, comer a torrada que minha mãe fazia todas as manhãs, vou procurar novas propostas para meu jornal e mudar aquelas imagens, vou procurar quem eu perdi, me desculpar com quem matei de desgosto, lutar por quem me calou. Vou me vestir como mulher digna, estou pensando em fazer uma nova faculdade, me especializar em coisas novas. Vou alcançar quem perdi. Vou mostrar o que realmente sou, cansei de mascarar a minha vida.
Esse vagão será alucinador que talvez nem eu mesma me reconheça ao descer dali, mas eu descerei ainda viva, com mais vida, com mais uma das chances que a cada dia estava ali e apenas eu não via. Espero que não seja tarde demais, para não continuar a sorrir sozinha.
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